Comportamento 06/02/2017 18:03

Essa fotógrafa está incomodando a internet ao expor nudez feminina fora do padrão

Por admin

Ana Harff entrou na minha vida com um sotaque carioca carregado de indiferença, quando me perguntou, em 2007, na primeira semana de aulas do curso de jornalismo, na UFRN, se eu tinha isqueiro. Segurava um cigarro à mão.

Fascinou-me seu layout propositadamente afrontoso ao padrão de beleza feminina. Madeixas louras levemente despenteadas. Saia jeans vestida, tive à impressão, às pressas. Blusa jogada sobre o peito. Tinha uma áurea de segurança que me assustou.

A convivência provou que Ana era segura de si. Frequentemente, expunha opiniões contundentes na sala de aula. É o tipo de pessoa que não passa despercebida pela sua vida.

Ana voltou ao Rio de Janeiro e perdemos o contato. Até a noite de ontem.

Um post no Facebook de Ana chegou à minha timeline. Era encimado pelos dizeres: “Sobre meu bloqueio de 1 mês no Facebook”. Seguiam-se algumas linhas e o link de “leia mais”. Nunca clico nesses links. Geralmente as primeiras linhas são enfadonhas. Não foi o caso desse texto.

Que começava assim:

Como mulher, em basicamente quase toda minha vida, minha competência foi julgada pela minha aparência. Aos 12, era “patricinha” e meus colegas me achavam metida. Aos 15, andava de skate e vestia roupas de “homem”, para desespero dos meus pais. Aos 17, me criticavam porque não sabia me maquiar. Aprendi a me maquiar, me vestia como “correspondia” e fiz um piercing. Nossa, horror! “Uma mulher de piercing? Que coisa feia” – me diziam. Aos 22, minhas tatuagens incomodavam. Agora, aos 29, meu excesso de peso parece que incomoda mais às outras pessoas que a mim mesma.

Daí em diante ele expõe sua indignação ao tocar em seu novo projeto, o Unica, cuja ideia é a nudez de mulheres feita por mulheres. Confira AQUI

Mulheres celebram o corpo tal qual é

Mulheres celebram o corpo tal qual é

“Sem critérios, sem expectativas, sem méritos”, descreve Ana, que vem compartilhando “várias histórias de mulheres que passaram e continuam passando, pelo mesmo difícil processo de auto aceitação. E o lindo de tudo foi que descobri que todas as que participam tinham um fio condutor e conector igual: todas estavam em um momento de suas vidas nos quais realmente queriam celebrar seu corpo”.

Mas o processo de celebração artística foi rudemente interrompido no Facebook, quando começaram a denunciar o conteúdo das imagens.

Em um mundo menos imperfeito, é sabido até no reino mineral a diferença óbvia entre arte e pornografia.

Mas a nudez exposta por Ana transgride os conceitos assentados no machismo.

Por que devemos ver mulheres felizes com seus corpos fora do padrão? Isso não está certo!

É assim que é ensinado a pensar.

Isso vem de longe. No século XVII, Artemisia Gentileschi transformou o estupro que sofreu na França em arte.

Levou anos para sua obra ser reconhecida.

Ana talvez padeça do mesmo.

Aplausos para a bravura.

Clap, clap, clap.

Dinarte Assunção

Biografia Dinarte Assunção é jornalista formado pela UFRN. Atuou em redações como repórter de cotidiano, economia e política. Foi comentarista político da TV Ponta Negra. Atualmente é reporter do Portal No Ar e compõe a equipe do Meio Dia RN, na 98 FM. É autor do livro Sobre Viver - Como Venci a Depressão e as Drogas. Nas horas vagas, assa panquecas.

Descrição Ponto ID é um blog para noticiar o que importa. E nada mais.