Notícias com a categoria "opiniao"

28/08/2017 09:54

Chegando

Olá leitores do Ponto Id/Blog Dinarte Assunção. Aqui quem escreve é Ciro Marques. Vocês podem lembrar de mim das páginas impressas do finado Jornal de Hoje, ou das virtuais do PortalNoar. Ou ainda das vinhetas de abertura e encerramento do Jornal das Seis, da 96fm, onde meu nome aparece como “produtor”.

Ou podem, também, não lembrar de mim. Não tem problema.

O que vocês precisam saber é que, a partir de hoje, poderão ver meu nome com alguma frequência neste veículo, desenvolvendo uma parceria com o grande Dinarte Assunção na produção de matérias.

É claro que não conseguirei dar tantos furos quanto ele, que é um especialista na arte do jornalismo investigativo. Mas pretendo me esforçar ao máximo nessa missão.

Bom, é isso. Neste momento do jornalismo imediato, não adianta ficar perdendo tempo escrevendo muito o que não importa. O que vocês querem é notícia. Então vamos a elas. Nós veremos em breve.

Ciro Marques.

28/06/2017 11:24

Por que a maioria dos políticos exibe uma extraordinário nível de imbecilidade

O poder corrompe. O poder absoluto corrompe absolutamente. É um dos ensinamentos mais conhecidos de Lord Acton (1834-1902). Assino embaixo.

Experiência pessoal: em 20 anos de jornalismo, conheci muitos políticos e entrevistei vários. Com raríssimas exceções, todos exibiam um nível de imbecilidade que me impressionava e assustava. Não existem diferenças ideológicas. Bastava ocuparem lugares de poder para a imbecilidade se manifestar.

Cautela: não falo de “imbecilidade” no sentido prosaico do termo -burrice, estupidez, ignorância- embora existissem exemplares que também cumpriam esse papel.

Não, não. Falo de um outro tipo de imbecilidade: uma certa alienação face ao mundo, como se este mundo não existisse. Eu, modestamente, habitava o planeta Terra. Eles já estavam numa galáxia distante, onde os gestos, a linguagem e até o senso comum dos terráqueos deixavam de fazer sentido.

Tempos depois, quando assistia à queda de alguns -por incompetência, impopularidade ou até corrupção-, o que espantava não era apenas a infantilidade dos delitos. Era a surpresa dos personagens perante a queda. (mais…)

22/05/2017 23:35

Toda nudez será castigada

A controversa delação da JBS ‘democratizou’ as denúncias sobre políticos do Rio Grande do Norte, cumprindo a escala nacional das declarações dos irmãos Batistas e seus executivos, sendo Ricardo Saud considerado portador das notícias mais devastadoras, ao relatar pagamento de propina a 1.829 políticos através da doação de recursos eleitorais na campanha de 2014.

 

A insuperável vocação do Rio Grande do Norte para se deter às coisas inversamente  proporcionais à grandeza de seu nome colocou o debate no nível das galerias de esgotos da Caern, em torno da qual a delação da JBS se aplacou sobre o noticiário.

 

Antes de tudo é preciso pontuar o caráter de excepcionalidade quando um executivo de uma empresa registra que um governador e um deputado federal sentaram ao banquete do festim de recursos públicos.

 

Em qualquer lugar do mundo, isso seria a primeira página. Mas só numa província continuaria em primeira página mesmo sem desdobramentos para manter o assunto. E não deixar de noticiar não faria da notícia menos notícia. Cada um tem direito a ter seus próprios argumentos, mas não seus próprios fatos.

 

Isso posto, o enredo em que foi envolvido o governador do Estado e seu filho merece ser olhado além do que se vê. Ou do que se quer ver.

 

Diz a lei que a propina está caracterizada com a vantagem ou a oferta dela. Vantagem sabemos que não houve, pois a Caern continua tão pública quanto os vídeos da delação da JBS. Se oferta houve, como diz o delator, estamos diante de um calote pelas mesmas razões elencadas anteriormente. Pública continua a Caern.

 

O instrumento da delação premiada tem sido a mais poderosa ferramenta desagregadora de organizações criminosas. Sua importância é incontestável, mas as circunstâncias demandam mudanças.

 

A lei que regulamente o entreguismo, por exemplo, não prevê a obrigatoriedade do delator entregar provas. Ele municia o Ministério Público com indícios. E esse vai atrás dos elementos cabais. Nesse meio tempo, no entanto,  caem os segredos dos termos de colaboração e lança-se à vala comum da condenação todo o conteúdo que ainda precisa ser checado.

 

De mais a mais, é acintoso que alguém se sente para narrar crimes e depois desembarque no aeroporto Internacional John F. Kennedy, em Nova York, para usufruir das recompensas dos crimes que admitiu ter praticado.

 

Daqui sigo intransigente na defesa do cumprimento das leis. Até uma evidência conclusiva de que a Caern seria privatizada para o grupo J&F em troca da doação eleitoral de 2014, configurando propina, não há ilegalidade.

 

Desnudem os reis em busca do ilícito e toda nudez será castigada. O que não vale é ampliar o direito ao próprio argumento para construir o próprio fato.

20/03/2017 12:08

Federalização é declaração de incompetência também do MP e Judiciário

O pedido para federalizar as investigações sobre crimes no sistema prisional do RN, com foco em saber se tratados internacionais de Direitos Humanos foram violados, será a divisão da fatura.

Criou-se o pensamento de que o Executivo é o único responsável pelo sistema prisional.

Mas a federalização é o deslocamento da competência de todos. Assim, restará comprovada a falha, além do Executivo, do Judiciário e do Ministério Público.

07/03/2017 10:05

Quando pensar primeiro em si não é egoísmo

– “Em caso de despressurização da cabine, máscaras de oxigênio cairão… coloque a máscara, primeiro, em você e depois em crianças e idosos”.

É mais ou menos assim que dizem os(as) comissários(as) de bordo, antes da decolagem de qualquer voo comercial.

“Mãe, não deveriam mandar colocar as máscaras primeiro nas crianças e idosos?”, perguntou minha filha, achando estranha a recomendação de deixar crianças e idosos para depois.

Eu, que já havia pensado, e mais que isso, já havia filosofado sobre isso, expliquei à minha filha que a recomendação de bordo, sábia e intrinsicamente, nos chamava atenção para algo que, à primeira vista, parece egoísta. Mas, a questão é: se você não colocar a máscara primeiro em si mesmo e acabar desmaiando com a despressurização da cabine, vai conseguir ajudar a mais alguém?

Do mesmo modo, na vida, se você não cuidar de si mesmo e adoecer física, psico ou emocionalmente, vai conseguir cuidar de mais alguém?

Digo para as minhas amigas mais próximas: queremos ser boas mães, boas filhas, boas profissionais. Queremos ser boas para as pessoas que amamos e provar nossa capacidade no mercado de trabalho. Mas não podemos esquecer que precisamos, primeiro, ser boas pra nós mesmas. Pois doentes e/ou deprimidas, não conseguiremos cuidar de ninguém, nem de nós mesmas. Eles, nossos filhos, pais e trabalho, precisam, antes de tudo, que estejamos bem.

Ouço de muitas mulheres, por exemplo, que não têm tempo para fazer academia, porque priorizam os cuidados com os filhos e com a casa. Dizem isso como se tirar uma hora por dia para ir se exercitar fosse algo extremamente egoísta e motivado apenas pela vaidade de ter um corpo sarado. Esquecem ou minimizam a importância dos exercícios físicos para a saúde do corpo e da mente. E o tempo, que não investem hoje nesse cuidado, será involuntariamente requerido no futuro, não em academias, nem em pistas de caminhada (ou lá também), mas em salas de espera de consultórios médicos e similares, na melhor das hipóteses. Já diz a sabedoria popular: Melhor prevenir do que remediar.

E se com tais olhos enxergam a academia, o que dirão de outros cuidados e atividades que trarão benefícios próprios ao coração e à mente?

“Quem não encontra tempo para cuidar da saúde terá que encontrar para cuidar da doença”. Ouvi essa frase há alguns anos e a tornei um dos meus lemas de vida.

Cuidemos primeiro de nós mesmas, para cuidar ainda mais e melhor de quem amamos.

21/02/2017 07:00

De como Bruno Giovanni dobrou Natal e me quebrou a cara

Bruno Giovanni entrou na minha vida em uma tarde de janeiro de 2010.

Ele planejava uma festa nos parrachos de Pirangi. Eu provoquei o Idema, que vetou.

Ricardo Rosado pegou o conteúdo do meu blog e reproduziu no seu.

Surgiu aí desavença entre os dois. Tudo culpa minha.

Bruno Giovanni e eu nos aproximamos pela irresponsabilidade.

Lançado o Blog do BG, alguém soprou: “os dois dão certo”.

Ao contrário do PMDB, naquele junho de 2010, na Nascimento de Castro, indícios eram suficientes.

Dois irresponsáveis se arriscaram no Blog do BG.

Tenho pra mim que Camila é a culpada por tudo ter dado certo. Só sua sensatez para equilibrar tanta irresponsabilidade.

Eu amei e odiei Bruno Giovanni com todas as minhas forças.

Primeiro odiei por influência.

Ora, como nós jornalistas formados pela escola fundada – deixa ver se construo algo pomposo – NO MAIS RETILÍNEO, JOCOSO, VANGUARDISTA E ÉTICO PRECEITO INAUGURADO POR PULITZER, poderíamos ser submetido a um DJ?

A história recente ensina que todos os jornalistas de Natal que se arvoraram na arrogância terminaram na decadência.

Eu estou para me desvencilhar dessa rota. Bruno Giovanni captou o espírito da coisa bem cedo.

A maior raiva do jornalismo de Natal foi não dobrar a cidade ao carisma como Bruno fez. E isso ainda dói em muitos. E isso ainda é a faca que amola a falsidade que tenta derrubar BG, da qual fiz parte por algum tempo.

Só quando vi que era impossível um enorme público estar errado e eu certo, me rendi, mas não por completo.

Todos os dias, BG me ensina. E ainda como no início, eu o amo e o odeio.

Odeio porque ele me obriga a ver meus defeitos.

Amo porque só a extrema grandeza acolhe quem lhe fez mal. Não só. Só a bondade infinita esquece que a mão na qual você pega foi a mesma que lhe bateu. Só a bondade pega essa mão e leva para a glória.

BG, lindão, obrigado por me deixar fazer parte. Seu espírito vai além do que podemos compreender. Apesar disso, entendo de amar. E te amo tanto. E te amo muito. Parabéns pelo seu dia.

Dinarte Assunção
Verão de 2017

15/02/2017 10:08

Direito de pergunta

Toda vez que o mimimi sobre o foro privilegiado volta ao noticiário sob o viés de proteção, como é o caso de Moreira Franco, vulgo Angorá nas litas da Odebrecht, pergunto-me se o STF, afinal, não faz parte do Judiciário.

É como se, ao ser julgado pelo Supremo, o investigado estivesse livre do peso da condenação que pode receber.

14/02/2017 16:52

Errada e ridícula

por Helio Schwartsman, na Folha

A censura é sempre errada, mas às vezes consegue ser também ridícula. A decisão do juiz que obrigou a Folha e o jornal “O Globo” a retirar da internet reportagens sobre a tentativa de extorsão de que foi vítima a mulher do presidente Michel Temer parece pertencer ao segundo grupo.

O que a reportagem da Folha fazia era basicamente juntar fatos já amplamente noticiados sobre a condenação, no ano passado, do hacker que tentou chantagear Marcela Temer com informações que constam de processos judiciais que estavam à disposição de qualquer consulente no site do Tribunal de Justiça de São Paulo. Pelas regras da transitividade, o juiz censurou o próprio Poder Judiciário, o que implica deitar por terra o princípio da publicidade do processo penal. Vale lembrar que esse princípio é a mais efetiva senão a única arma de que a sociedade dispõe para coibir eventuais abusos da Justiça e do Ministério Público.

Embora a preservação da intimidade também seja um relevante valor a preservar, questões levantadas nos processos não dizem respeito só à mulher do presidente, mas também ao próprio mandatário. E o direito à privacidade não pode servir de escudo contra o escrutínio público a que a Presidência deve submeter-se.

Colocar-se contra a censura não é mero fetiche corporativo de jornalistas. A liberdade de expressão e de imprensa se conta entre as mais valiosas joias do pensamento iluminista. Como já escrevi aqui, ela está na base de algumas das mais produtivas de nossas instituições, como a democracia, as artes e a liberdade acadêmica —e, consequentemente, o desenvolvimento científico.

Mais até, ao assegurar que todas as ideias possam ser discutidas sob todos os ângulos, a liberdade de expressão permite que cada sociedade encontre seu ponto de equilíbrio entre a mudança e a conservação. Juízes deveriam pensar 300 vezes antes de mandar suprimi-la.

10/02/2017 18:33

A intransigência que desinforma

Há um entendimento implícito na Procuradoria Geral de Justiça para que se ignorem Daniel Menezes, o Portal No Ar e eu sempre que for possível.

Como disse um membro do MP numa reunião, apenas esses três não são guiados pelo MP. Apenas esses três contestam. Ignorar é a saída, assim como Mussolini se fez de mouco para seu povo, ou Hitler para os judes. É uma saída bem democrática.

Isso posto, a database dos servidores do MPRN NÃO poderia ter sido concedida porque o órgão estava acima dos limites da LRF, o que impedia novas despesas de pessoal.

Foi preciso que um promotor verdadeiramente democrático expusesse o outro lado.

Nao fosse essa intransigência, o post inicial nao teria alcançado o que alcançou porque logo se teria retificado. Contei 13 mil pessoas no twiter que visualizaram a matéria inicial.

10/02/2017 07:00

O MP também acerta

Por falar no Ministério Público, o chefe da PGJ, Rinaldo Reis, comentou ontem na 96 FM que em todos os estados ondr houve crise no sistema prisional, foi prontamente resolvido.

Menos aqui.

Olha só.

Não há do que discordar, governador.

Dinarte Assunção

Biografia Dinarte Assunção é jornalista formado pela UFRN. Atuou em redações como repórter de cotidiano, economia e política. Foi comentarista político da TV Ponta Negra. Atualmente é reporter do Portal No Ar e compõe a equipe do Meio Dia RN, na 98 FM. É autor do livro Sobre Viver - Como Venci a Depressão e as Drogas. Nas horas vagas, assa panquecas.

Descrição Ponto ID é um blog para noticiar o que importa. E nada mais.