Notícias com a categoria "politica"

20/09/2017 09:01

Lula segue líder, mas Bolsonaro e Doria crescem para 2018, diz pesquisa

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mais uma vez aparece como primeiro colocado em pesquisa de intenção de voto para presidente divulgada nesta terça-feira (19) pela CNT/MDA.

Ao mesmo tempo, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC) e o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), tiveram crescimento significativo desde o último levantamento.

Em pesquisa espontânea, isto é, quando o entrevistador não fornece um rol de candidatos, Lula aparece com 20,2% das intenções de voto, ante 16,6% em fevereiro. Bolsonaro, que tinha 6,5% em fevereiro, chegou a 10,9%. Doria foi de 0,3% para 2,4%.

Embora líder nas pesquisas, o ex-presidente pode não conseguir se candidatar. Investigado em várias frentes, Lula já foi condenado em primeira instância pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex de Guarujá. Caso essa decisão seja confirmada pelo tribunal, o petista deve ficar inelegível.

O petista fez uma caravana de 20 dias pelo Nordeste entre o fim de agosto e o início de setembro, período no qual percorreu nove Estados.

Doria também tem viajado constantemente, inclusive em dias úteis. Por isso, o Ministério Público de São Paulo abriu um procedimento preparatório de inquérito para investigar as viagens do prefeito. Ele afirma que seu governo tenta buscar um ritmo “menos provinciano”.

Bolsonaro também tem viajado com frequência pelo Brasil.

Já a ex-senadora Marina Silva (Rede), que tem se mantido distante do noticiário e com agenda política discreta, manteve o patamar da pesquisa feita em fevereiro. Ela tinha 1,8% das intenções de voto, e agora tem 1,5%.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), que também tem intenção de se candidatar, saiu de 0,7% para 1,2%, mesmo percentual do ex-ministro Ciro Gomes (PDT), que em fevereiro tinha 0,4%.

SEGUNDO TURNO

Em simulações de segundo turno, Lula venceria em todos os cenários, mas, caso a eleição fosse hoje, teria menos facilidade caso disputasse contra Bolsonaro ou Marina Silva. O petista tem 40,5% das intenções, ante 28,5% do deputado. Caso enfrentasse a ex-senadora, venceria por 39,8% a 25,8%.

Alckmin e Doria têm desempenho semelhante em simulações em que enfrentariam Lula no segundo turno. O prefeito tem 25,2% das intenções, ante 41,6% do petista. Já o governador tem 23,2%, contra 40,6% de Lula.

AÉCIO DESPENCA

A maior diferença observada pela pesquisa diz respeito ao senador Aécio Neves. Em maio, foram divulgados os áudios de conversas entre o senador e o empresário Joesley Batista, da JBS, em que acertam o pagamento de R$ 2 milhões.

Em um eventual segundo turno contra Lula, Aécio perderia de 41,8% a 14,8%. Em fevereiro, ele tinha 27,5%, contra 39,7% do ex-presidente.

Aécio se tornou ainda o candidato com a maior rejeição entre os presidenciáveis. Ao todo, 69,5% dos entrevistados disseram que não votariam nele de jeito nenhum, índice bem maior do que aqueles registrados por Ciro Gomes (54,8%), Alckmin (52,3%), Marina Silva (51,5%), Lula (50,5%), Bolsonaro (45,4%) e Doria (42,9%).

A pesquisa divulgada nesta terça tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

Foram realizadas 2.002 entrevistas em 25 unidades federativas de todas as regiões do Brasil entre os dias 13 e 16 de setembro.

Folha de S. Paulo

20/09/2017 08:17

Supremo decide hoje sobre suspensão de denúncia contra Temer

O Supremo Tribunal Federal (STF) deve decidir hoje (20) sobre a suspensão da denúncia apresentada pelo ex-procurador-geral da República (PGR) Rodrigo Janot contra o presidente Michel Temer e integrantes do PMDB. A questão começou a ser decidida na semana passada, antes do envio das acusações à Corte, mas o julgamento foi interrompido sem nenhum voto proferido.

A sessão está prevista para começar às 14h e também será marcada pela estreia da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, como representante do Ministério Público Federal (MPF) no Supremo.  Na semana passada, após receber a denúncia contra o presidente, de organização criminosa e obstrução de Justiça, Fachin decidiu aguardar a decisão da Corte sobre a suspensão do caso antes de enviar o processo à Câmara dos Deputados, conforme determina a Constituição.

O julgamento foi motivado por um pedido feito pela defesa de Temer. Inicialmente, o advogado Antônio Claudio Mariz, representante do presidente, pretendia suspender uma eventual denúncia. Na quinta-feira (14), após Janot enviar a denúncia ao STF, Mariz entrou com outra petição e pediu que a peça seja devolvida à PGR.

Para o defensor, as acusações referem-se a um período em que o presidente não estava no cargo. De acordo com a Constituição, o presidente da República não pode ser alvo de investigação sobre fatos que aconteceram antes de assumir a chefia do governo.

“Entretanto, da leitura da peça vestibular [petição inicial], exsurge [destaca-se] que quase todos os supostos fatos delituosos narrados e imputados ao Sr. Presidente da República são anteriores ao seu mandato, razão pela qual, nos exatos termos do Artigo 86, § 4º, da Constituição Federal, o chefe da Nação não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções”, argumentou Mariz.

Tramitação

Com a chegada da denúncia ao STF, a Câmara dos Deputados precisará fazer outra votação para decidir sobre a autorização prévia para o prosseguimento do processo na Suprema Corte.

O Supremo não poderá analisar a questão antes de uma decisão prévia da Câmara. De acordo com a Constituição, a denúncia apresentada contra Temer somente poderá ser analisada após a aceitação de 342 deputados, o equivalente a dois terços do número de parlamentares que compõem a Casa.

A autorização prévia para processar o presidente da República está prevista na Constituição.  A regra está no Artigo 86: “Admitida a acusação contra o presidente da República, por dois terços da Câmara dos Deputados, será ele submetido a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, nas infrações penais comuns, ou perante o Senado Federal, nos crimes de responsabilidade”.

O prosseguimento da primeira denúncia apresentada pela PGR contra o presidente, pelo suposto crime de corrupção, não foi autorizado pela Câmara. A acusação estava baseada nas investigações iniciadas a partir do acordo de delação premiada de executivos da J&F. O áudio da conversa entre  Joesley Batista e o presidente Temer, gravada pelo empresário,  também foi uma das provas usadas no processo.

Agência Brasil

19/09/2017 12:00

3,4% aprovam governo Temer e 75,6% reprovam

A Pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT) com o Instituto MDA, divulgada hoje (19), indica que 3,4% dos brasileiros entrevistados consideram positivo o governo do presidente Michel Temer e 75,6% o avaliam como negativo. Para 18% dos entrevistados, o governo é regular e 3% não responderam ou não souberam opinar.

Na pesquisa divulgada em fevereiro, 10,3% avaliaram o governo Temer como positivo e 44,1% como negativo. Os que consideraram o governo regular foram 38,9% dos entrevistados e 6,7% não souberam opinar.

O levantamento traz avaliações do governo federal e do desempenho pessoal do presidente Michel Temer, além de expectativas da população sobre emprego, renda, saúde, educação e segurança. A edição também aborda as eleições de 2018, a reforma política, a Operação Lava-Jato e os hábitos de consumo de notícias no Brasil, entre outros temas.

A CNT/MDA ouviu 2.002 pessoas, em 137 municípios de 25 Unidades Federativas, das cinco regiões do país, entre os dias 13 a 16 de setembro. A pesquisa completa está disponível na página da CNT.

Desempenho pessoal

Em relação ao desempenho pessoal do presidente, a pesquisa divulgada hoje mostra que 84,5% desaprovam a maneira de Temer governar, frente a 62,4% da pesquisa anterior; e 10,1% aprovam, enquanto na consulta anterior o percentual era de 24,4%.

Agência Brasil

19/09/2017 11:48

Foto: Beto Barata/PR

Temer defende maior abertura do Brasil ao mundo em discurso na ONU

Em discurso para líderes mundiais na abertura da 72ª Assembleia Geral das Nações Unidas, hoje (19), em Nova York, o presidente Michel Temer disse que o Brasil deve estar mais aberto ao mundo e preocupado com temas centrais para a agenda internacional, como o programa nuclear da Coreia do Norte, a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e a crise na Venezuela.

Temer destacou também a necessidade de promover uma reforma nas Nações Unidas ressaltando que “é particularmente necessário ampliar o Conselho de Segurança”. O presidente brasileiro mencionou ainda os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU e a Agenda 2030, além de destacar a importância do combate às mudanças do clima e da defesa do Acordo de Paris. “O desmatamento é uma questão que nos preocupa, especialmente na Amazônia”, afirmou.

Ele destacou a “grave ameaça” dos recentes testes nucleares da Coreia do Norte, ressaltando que “o Brasil condena, com veemência, esses atos”. Temer também destacou a assinatura, amanhã (20), do Tratado para a Proibição das Armas Nucleares, proposto por Brasil, México, Nigéria, África do Sul, Áustria e Irlanda e concluído em julho deste ano. O Brasil é um dos 26 países que devem ratificar o tratado – que só entra em vigor depois da assinatura de, pelo menos, 50 nações.

Ainda no âmbito da paz e segurança globais, o presidente mencionou as negociações para a paz entre Israel e Palestina, que encontram-se paralisadas, e reafirmou a posição do Brasil de defender a solução de dois estados. Sobre a Síria, Temer afirmou que “a solução que se deve buscar é essencialmente política”. Ele ainda falou sobre terrorismo, e disse que é um “mal que se alimenta dos fundamentalismos e da exclusão”.

Direitos humanos

Segundo Temer, o Brasil é um país livre e com uma “diversidade de etnia, de cultura, de credo, de pensamento”, e lembrou os tratados internacionais de direitos humanos dos quais o país é signatário, o acolhimento de refugiados e a concessão de vistos humanitários a haitianos e sírios.

Ele disse que “a situação dos direitos humanos na Venezuela continua a deteriorar-se” e que “na América do Sul, já não há mais espaço para alternativas à democracia”. Ontem (18), Temer falou sobre a crise venezuelana em um jantar com os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, da Colômbia, Juan Manuel Santos, do Panamá, Juan Carlos Varela, e com a vice-presidente da Argentina, Gabriela Michetti.

Economia

No discurso de hoje, Temer também falou sobre temas econômicos e condenou o protecionismo como saída para dificuldades econômicas. Ele defendeu o papel da Organização Mundial do Comércio (OMC), dizendo que o Brasil defende “um sistema de comércio internacional aberto e baseado em regras”. E afirmou que, em dezembro deste ano, durante a  Conferência Ministerial da OMC em Buenos Aires, será preciso enfrentar problemas como acesso a mercados de bens agrícolas e eliminação de subsídios à agricultura.

Sobre temas internos, Michel Temer mencionou as reformas estruturais em curso no Brasil e disse que o país está “resgatando o equilíbrio fiscal, [pois] sem responsabilidade fiscal, a responsabilidade social não passa de discurso vazio”, e disse que “o novo Brasil que está surgindo das reformas é um país mais aberto ao mundo”.

Agência Brasil

19/09/2017 09:47

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Câmara tenta mais uma vez votar reforma política

A Câmara dos Deputados tentará mais uma vez avançar na discussão das propostas de reforma política que tramitam na Casa. Nesta terça-feira (19), o plenário volta a analisar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 77/03, que institui um novo sistema eleitoral e um fundo público para financiar as campanhas.

A proposta já está há algumas semanas no plenário, mas não encontra consenso entre as principais bancadas. O texto em análise propõe a adoção do voto majoritário (conhecido como “distritão”) para escolha de deputados para as eleições de 2018 e 2020 e a instalação do sistema distrital misto, que combina voto majoritário e voto em lista preordenada pelos partidos nas eleições proporcionais a partir de 2022.

Outro ponto de destaque da proposta é a instituição de um fundo público para financiamento das campanhas eleitorais. O fundo seria composto por recursos da União, sem valor ainda definido. O fundo deve ser regulamentado por um projeto de lei que já foi aprovado em comissão especial e está para chegar ao plenário.

Na quarta-feira (20), os deputados devem continuar a votação da PEC 282/2016, que trata do fim das coligações partidárias nas eleições de deputados e vereadores a partir do ano que vem. De acordo com a emenda, os partidos poderiam se organizar em federações que funcionariam durante todo o período do mandato dos candidatos eleitos.

A proposta também prevê a adoção de uma cláusula de desempenho para que os partidos só tenham acesso aos recursos do Fundo Partidário e ao tempo de propaganda na rádio e na TV se atingirem um patamar mínimo de candidatos eleitos em todo o país.

As duas PECs enfrentam dificuldades para avançar no plenário, pois nenhuma delas atingiu o mínimo necessário de 308 votos, entre o total de 513 deputados, para aprovação de mudanças constitucionais.

Outro problema é a falta de tempo para construir o apoio da maioria, uma vez que para serem válidas para as eleições do ano que vem, as mudanças precisam ser aprovadas em dois turnos pela Câmara e pelo Senado até o início de outubro, um ano antes do próximo pleito.

Histórico de impasse

Nos últimos 15 anos, foram registradas pelo menos 120 propostas (30 PECs e 90 projetos de lei) de mudanças na legislação eleitoral e partidária, segundo dados da Câmara.

Boa parte das matérias trata de alterações na forma de financiamento das campanhas eleitorais, regras para fidelidade partidária e alterações no sistema de escolha dos deputados, além de mecanismos para evitar a proliferação de partidos.

Na última década, mais da metade das propostas foram arquivadas pelos parlamentares, entre elas pelo menos quatro propostas de emenda constitucional para adoção do voto distrital misto. Cerca de 30 projetos aguardam deliberação do plenário.

Em muitos casos, os parlamentares apresentaram propostas pulverizadas em diferentes projetos de lei, que podem ser aprovadas com maioria simples, sem a necessidade de 308 votos, quórum exigido para alterações na Constituição. A estratégia surtiu efeito para alguns assuntos, como a questão da fidelidade partidária, aprovada via PL em 2011.

“Nesses últimos dois anos, 2013 e 2015, houve essa inovação do “distritão”, que não existia nas discussões de antes, de 2011 e 2009. Isso, na verdade, trouxe um elemento novo que complicou ainda mais o cenário no sentido de dificultar a aprovação de qualquer outra mudança”, afirmou o cientista político da Universidade de Brasília (UnB), Lúcio Rennó.

Para Lúcio Rennó, que acompanha as iniciativas de reforma política no Congresso desde 2003, o fato de a reforma política entrar no debate na véspera de um pleito dificulta a implementação das mudanças.

“Não há uma discussão que se mantém, que se aprofunda no ano eleitoral ou no período pós-eleitoral para se avançar de fato numa reforma. Fica tudo sempre para a última hora e aí o atropelo gera a impossibilidade de aprovação. Apesar de ter uma janela ainda muito pequena de tentar votar isso na Câmara, mas, tudo indica que mais uma vez toda essa discussão vai morrer na praia”, disse o especialista.

Para o pesquisador, apesar da dificuldade de os parlamentares chegarem a um consenso, há um senso geral da necessidade de se mudar dois pontos: a proliferação de partidos sem base ideológica, o que prejudica a governabilidade; e a relação do dinheiro com a política, que se expressa na influência dos doadores de campanha.

“Há um consenso entre todos aos partidos políticos e todos os atores do Congresso envolvidos de que esses dois aspectos são problemáticos. A questão é que não se tem um consenso mínimo necessário sobre as soluções. As pessoas não conseguem se entender muito bem sobre qual é a solução para o problema”, afirmou Rennó.

Apesar do descontentamento da sociedade com os representantes políticos, o especialista não acredita que esse fator e nem a crise econômica possam favorecer a votação da reforma política.

“Toda vez que emergem essas discussões, desde 2003, é em resposta a alguma crise que afeta o Congresso e que aumenta a crítica da população, por exemplo, o mensalão. É fato que talvez a dimensão da crise atual seja superior a crises anteriores. Mas, essa crise se volta muito para a questão do financiamento de campanha, que está na essência da discussão da Lava Jato, e essa discussão já teve avanço no Supremo, que vedou a possibilidade de doação de pessoa jurídica, e o Congresso não encontra agora ambiente favorável para alteração dessa proposta”.

Agência Brasil

18/09/2017 11:19

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agencia Brasil

‘Não podemos correr o risco de entrar 2018 sem reforma’, diz Meirelles

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou nesta segunda-feira (18) que o país não pode correr o risco de não realizar a reforma da Previdência antes de 2018.

Segundo ele, se as mudanças na aposentadoria não forem realizadas neste ano, terão de ser feitas “em um futuro próximo”.

Ele disse esperar que a tramitação de denúncia contra o presidente Michel Temer por obstrução judicial e organização criminosa não paralise as discussões em torno da reforma.

“Se ela não for feita agora, deverá e terá de ser feita num futuro próximo. Não podemos correr o risco de entrar em 2018 ainda com a Previdência pendente ou, pior ainda, iniciarmos o próximo governo com uma discussão de reforma da previdência”, disse.

Para ele, as mudanças na aposentadoria devem ser feitas agora para que o país entre em um “novo capítulo com equilíbrio fiscal e estabilidade econômica”.

O ministro compareceu à posse da nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge. Na saída da cerimônia, esquivou-se ao ser questionado se pretende ser candidato à sucessão presidencial em 2018.

“No momento, sou ministro da Fazenda”, disse.

18/09/2017 08:12

Proposta de lei prevê apagar críticas a políticos na web

Dá para dizer que surgiu um gênero dentre as muitas propostas legislativas que vêm aparecendo no Congresso Nacional recentemente. Esse gênero consiste no “projeto de lei para impedir que cidadãos possam criticar políticos na internet”.

Em outras palavras, tentativas de se criar leis no país para que críticas feitas a políticos levem à penalização de usuários, ao apagamento de conteúdos publicados e até mesmo ao bloqueio de sites e serviços.

O mais recente exemplo desse gênero legislativo é o projeto de lei 8.443 de 2017, apresentado pelo deputado Luiz Lauro Fillho (PSB-SP).

O projeto busca criar no Brasil o chamado “direito ao esquecimento”.

Nas palavras do próprio texto, a lei permitiria a “retirada de dados pessoais que sejam considerados indevidos ou prejudiciais” à “imagem, honra e nome”. A retirada poderá ser feita “de qualquer veículo de comunicação em massa”.

Ganha o prêmio Eremildo quem conseguir definir o que seria “indevido” ou mesmo “prejudicial à imagem, honra e nome”.

São conceitos totalmente subjetivos, que teriam por consequência prática promover um “limpa” em informações publicadas na internet ou até mesmo nos arquivos de jornais, TVs e outros veículos de imprensa.

Vale notar que mesmo na Europa, onde o controverso “direito ao esquecimento” surgiu, ele não permite o apagamento de qualquer dado ou informação.

Já na versão brasileira que está sendo proposta, fica concedida autorização para revisar a história, ou ainda, para apagar pura e simplesmente qualquer crítica que alguém possa fazer a políticos na internet, de forma imediata.

O projeto chega a prever que as ações para remoção e apagamento de conteúdos poderão ser propostas nos juizados especiais cíveis (“pequenas causas”), onde são gratuitas, têm procedimento simplificado e não requerem advogado.

A justificativa do deputado é que o projeto seria feito “para proteger o cidadão”.

Se é esse o caso, por que não incluir artigo dizendo que “o disposto nesse projeto não se aplica a nenhum ocupante de cargo público no país”?

A inclusão de um artigo como esse seria suficiente para enterrar o projeto, por falta de apoio.

Afinal, a maioria absoluta das ações judiciais em defesa “da honra” são propostas por personalidades públicas, em especial políticos.

Isso é especialmente problemático porque políticos não possuem a mesma proteção à honra do que cidadãos comuns. Por exercerem cargos públicos, sua vida privada se confunde com o interesse público.

Não é coincidência que essa lei esteja sendo proposta justamente nas vésperas de um dos anos eleitorais mais importantes e desafiadores da história recente do país.

São muitos os políticos e partidos que gostariam de uma “vida nova” e de começar “do zero”. Não custa lembrar que o autor do primeiro projeto sobre “direito ao esquecimento” foi o então deputado Eduardo Cunha.

Ao que tudo indica, a prisão em Curitiba não derrotou totalmente Cunha. Suas ideias continuam livres e influentes em Brasília.

Folha de S. Paulo

15/09/2017 08:37

Nova denúncia contra Temer recebe cobertura de rotina e motiva piadas

Com enunciados semelhantes nas páginas iniciais de “Wall Street Journal” e “Financial Times” e no “New York Times”, “Temer, do Brasil, enfrenta mais denúncia criminal”.

Via Twitter, correspondentes estrangeiros no Brasil já reagiram com humor —como Shannon Sims, que escreve no “Washington Post” e anotou o que chama de “sinal dos tempos: brasileiros estão mais chocados com o cancelamento do show de Lady Gaga”.

Já o analista brasileiro da consultoria de risco Eurasia, João Augusto de Castro Neves, comparou a política do país ao dia da marmota, que se repete sem parar no filme “Groundhog Day”, com Bill Murray (Feitiço do Tempo, 1993). “Mas é menos engraçada.”

Antes mesmo da nova denúncia, o “WP”publicou longo perfil intitulado “Conheça o corrupto e enjaulado político que aterroriza o resto da elite política do Brasil”, com foto de Eduardo Cunha.

Abre o texto afirmando que “Temer não é o único político brasileiro que pode querer que Cunha mantenha a sua boca fechada”. E encerra anotando que o ex-presidente da Câmara poderá “puxar uma última carta na manga e acabar com Temer”.

ETHOS

Já o “WSJ” se concentrou em Gilmar Mendes, “o juiz brasileiro que provoca ira”, segundo o título. Diz que o ministro do Supremo “impediu a derrubada do conservador Temer” e “soltou o bilionário Eike Batista da cadeia”.

Ressalta declaração dada por ele ao próprio jornal: “O ethos [conjunto de valores] de um país não pode ser a luta contra a corrupção”. Mendes critica “uma ala da mídia” que só aceita prisão como “bom julgamento”.

Nelson de Sá, Folha de S. Paulo

14/09/2017 21:06

Rogério Marinho: “Procuradora vai tomar um bom vinho após destruir os empregos do RN”

Relator da polêmica reforma trabalhista, o deputado federal Rogério Marinho, do PSDB, defendeu hoje (14) a empresa Guararapes, que é alvo de uma ação civil pública com pedido de indenização na Justiça do Trabalho de R$ 38 milhões. E, além de defender a empresa do empresário e amigo dele, Flávio Rocha, Rogério Marinho ainda atacou o Ministério Público do Trabalho e a responsável pela ação, que certamente, segundo ele, irá tomar um “belo vinho” após destruir os empregos no Rio Grande do Norte.

“Se o juiz deferir a ação, a consequência imediata: vamos acabar o processo. As empresas vão se extinguir, os pequenos vão quebrar, as pessoas senhoras demitidas, e a doutora vai tomar um belo vinho comemorando o feito de conseguir destruir os empregos do RN”, afirmou Rogério Marinho em entrevista ao Jornal das Seis, da 96fm, afirmando que não iria dizer o nome da procuradora responsável pela ação para não “personalizar” a crítica.

É bem verdade, porém, que durante a entrevista o deputado federal afirmou que “o Ministério Público do Trabalho é uma instituição séria, mas alguns membros extrapolam. São muito radicais”. Além disso, em outro momento, quando questionado sobre o fato que alguns integrantes das facções que vendem confecção para a Guararapes estarem em crise, afirmou: “O capitalismo tem risco, diferente do socialismo, que ela deve defender”.

Basicamente, na ação, o MPT pede a responsabilização solidária a Guararapes por descumprimento de legislação trabalhista na relação da empresa com as facções que foram montadas no interior do Estado para produzir confecções (e vender para a própria Guararapes).

“Isso é um crime, porque a pessoa que está fazendo isso está ganhando salário de mais de 30 mil reais. Recebe seu salário todo mês e acha que ele nasce em árvore, não sabe que vem dos tributos que a população paga”, reforçou, questionando, em seguida, “É o Ministério Público do Trabalho que vai dar emprego a esse povo?”

13/09/2017 11:49

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Temer faz apelo à base aliada para retomar reformas governistas

O presidente Michel Temer fez um apelo para a retomada das discussões das reformas governistas, como a da Previdência, em café da manhã com parlamentares governistas, no Palácio da Alvorada, nesta quarta (13).

Segundo o ministro Maurício Quintella (Transportes), o governo mira a reforma tributária, menos polêmica, e fala em esforço para discutir a previdenciária.

“É preciso reorganizar a base, votar a reforma tributária, que é menos polêmica, e voltar a discutir a reforma da Previdência”, disse.

“A expectativa é que outubro ou novembro seja possível avançar, se não na reforma da Previdência ideal, a possível”, reforçou.

Quintella admitiu que a base parlamentar se encontra desmobilizada neste momento, mas negou que a desmobilização tenha se dado apenas pelas denúncias envolvendo o governo.

Segundo ele, há uma resistência clara de parte do Congresso Nacional em relação à reforma previdenciária em razão da proximidade das eleições.

Ele disse ainda que a Previdência foi atropelada por outros temas, como a reforma política, e medidas provisórias.

Temer expôs os recentes dados econômicos de recuperação, considerados o principal trunfo de seu mandato, e pediu aos parlamentares governistas que, em reposta às críticas ao governo, divulguem as informações.

CRISE POLÍTICA

Com a deflagração de uma nova crise política, Temer pediu à base aliada que defenda o atual governo e que rebata as críticas feitas a ele. Pregou que não se pode ficar em silêncio ou se aquietar diante de acusações contra a administração peemedebista.

“Eu pediria que vocês incentivem os nossos deputados e senadores para fazer um discurso de rebate. Porque, muitas vezes, eu vejo que a pessoa ouve uma coisa negativa e se aquieta, fica em silêncio. Não pode se aquietar”, disse.

Em discurso, ele ressaltou que o país não pode ficar paralisado e que não é hora de se envolver em questões da alçada de outros poderes, em uma referência às investigações contra o governo analisadas pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

“Se nos envolvermos em outras questões, nós vamos nos embaralhar, nos embaraçar. Certas questões não são da nossa alçada e nós temos de pensar na nossa”, disse.

Em menos de 24 horas, o presidente foi citado em investigação da Polícia Federal e se tornou alvo de inquérito aberto pelo STF. Há ainda a expectativa de apresentação de uma denúncia por obstrução judicial e formação de quadrilha pela PGR (Procuradoria-Geral da República).

Folha de S. Paulo

Dinarte Assunção

Biografia Dinarte Assunção é jornalista formado pela UFRN. Atuou em redações como repórter de cotidiano, economia e política. Foi comentarista político da TV Ponta Negra. Atualmente é reporter do Portal No Ar e compõe a equipe do Meio Dia RN, na 98 FM. É autor do livro Sobre Viver - Como Venci a Depressão e as Drogas. Nas horas vagas, assa panquecas.

Descrição Ponto ID é um blog para noticiar o que importa. E nada mais.