Notícias com a tag "brasil"

09/09/2017 11:17

Por que é tão difícil um furacão como o Irma atingir o Brasil?

Países caribenhos e pessoas que vivem em algumas regiões da costa leste dos Estados Unidos estão em alerta para a chegada do furacão Irma. A Nasa (agência espacial americana) diz que o fenômeno, que está no mar do Caribe, é o maior registrado na última década.

Mas por que, diferentemente desses lugares periodicamente atingidos por fenômenos climáticos similares, o Brasil não precisa se preocupar com isso?

Segundo meteorologistas ouvidos pela BBC Brasil, as chances de que isso aconteça por aqui são mínimas – a explicação é que a formação de um furacão depende de uma série de fatores que só foi registrado uma vez no país.

“Por enquanto, é quase impossível que um furacão atinja o Brasil, a não ser que as mudanças climáticas também tenham alguma influência”, diz Michael Pantera, meteorologista do Centro de Gerenciamento de Emergência de São Paulo.

A meteorologista Bianca Lobo, do Climatempo, explicou que um dos principais “combustíveis” para a formação de um furacão são as águas quentes do mar – que precisam estar acima de 27°C.

“No Brasil, nós não temos isso. As maiores temperaturas são registradas no mar do Nordeste, onde não passam de 26°C”, diz.

“A umidade e a água quente do oceano que dão força a um furacão. Quando ele chega à costa, perde força”, acrescenta Pantera.

Outro fator necessário para a formação de um furacão é o cisalhamento ou tesoura de vento – como são chamadas as mudanças de velocidade ou direção das correntes de ventos. Os especialistas explicam que esse fenômeno é raro nos países localizados na linha do equador, como o Brasil.

Meteorologistas afirmam que esse é um fator que também inviabiliza que um tornado formado no Caribe atinja o Brasil, já que ele perderia completamente a força ao se aproximar da linha do equador devido ao efeito de força de coriolis.

Tufão, tornado, furacão?

A definição de tufão e furacão é a mesma. Eles são um conjunto de tempestades com centenas de quilômetros de diâmetro que surgem nos oceanos sobre as águas quentes e podem durar por alguns dias. A única diferença entre eles é o lugar onde se formam.

Segundo meteorologistas, ambos são ciclones tropicais formados em oceanos. O que os diferencia é que os tufões se formam no oeste do oceano Pacífico, e os furacões, no oceano Atlântico e na região leste do Pacífico.

Já o tornado é uma coluna de ar que sai da base da nuvem e toca o solo, seu diâmetro é muito menor do que um furacão, a grande maioria não passa de 600m, e duram menos de 1 hora. Como sua formação só depende de uma tempestade muito forte, um furacão pode gerar muitos tornados.

Historicamente, só um furacão foi registrado na história do Brasil. Chamado de Catarina, ele atingiu o litoral do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina em março de 2004.

Na época, pelo menos 40 cidades foram atingidas. Segundo o Centro de Estudos em Engenharia e Defesa Civil da Universidade Federal de Santa Catarina, os ventos atingiram a região a uma velocidade de cerca de 180 km/h.

Quatro pessoas morreram, 518 ficaram feridas e cerca de 33 mil desabrigadas.

Mas os meteorologistas classificam o caso como raríssimo. “Foi uma condição totalmente atípica. É muito difícil de acontecer, ao contrário dos tornados, que inclusive são filmados com frequência no Brasil”, diz Bianca Lobo.

Segundo Pantera, ainda há divergências se o Catarina foi de fato um furacão. “Ele era uma frente fria que, em determinado momento, se deslocou e fez um caminho contrário, na direção do oceano. Ainda há muitas discussões se o Catarina era de fato um furacão.”

Mesmo com uma intensidade menor, a recomendação para quem avistar um tornado ou tromba d’água é fugir.

Se uma pessoa é atingida pelo fluxo de vento, dificilmente ela consegue escapar. A maior probabilidade é que ela seja sacudida e arremessada onde ela estiver, inclusive de embarcações.

G1

06/09/2017 09:59

Há microplásticos na água da torneira de todo o mundo, inclusive no Brasil

A água de torneira de cidades ao redor do mundo está contaminada com fibras microscópicas de plástico, de acordo com levantamento inédito da organização Orb Media no qual a Folha participou. De 159 amostras de água potável coletadas em cinco continentes 83% continham plástico.

Folha colheu dez amostras adicionais na capital paulista e as enviou para análise na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de Minnesota (EUA), que centralizou o trabalho de laboratório da iniciativa global.

Descobriu-se que 9 das 10 garrafas com 500 ml de água extraída de torneiras paulistanas continham fibras. É uma proporção semelhante à encontrada no levantamento realizado fora do Brasil.

A amostra com mais fibras (5) saiu de uma torneira de cozinha na região oeste de São Paulo. Depois vêm as garrafas de água obtida em torneiras de banheiro do parque Ibirapuera (4 fibras) e do Masp (3). (mais…)

05/09/2017 09:30

5 santos com mais devotos no Brasil

Que o Brasil é um país predominantemente católico, no qual a maior parte das pessoas são devotas de algum santo, você provavelmente sabe. Porém, alguma vez você já parou para pensar a respeito de quais são os santos com o maior número de devotos?

04/09/2017 14:52

Vírus que circula no Facebook Messenger já afeta brasileiros

Os usuários do Facebook Messenger podem ser alvo de um novo malware que direciona o usuário para sites infectados. Os primeiros casos relacionados a esse vírus foram detectados no início de agosto e os ataques foram direcionados para a Rússia, Brasil e outros países da América Latina.

A empresa de segurança Kaspersky revela que o código malicioso é distribuído por meio de um recado no mensageiro da rede social, que parece ser de um amigo — encorajando, dessa forma, o clique em um link encurtado no bit.ly que leva a um arquivo no Google Docs. Ao tentar abrir o documento, é aberta uma foto do perfil do Facebook da vítima e cria-se uma página de destino que parece ser um vídeo. Ao tentar reproduzi-lo, o vírus redireciona para sites infectados.

Comportamento diferente de acordo com o browser

O malware se comporta de forma diferente, dependendo do navegador. Ao clicar no link malicioso no Chrome, é exibida uma página falsa do YouTube que acusa um erro e exibe uma mensagem pedindo o download e uma extensão. No Firefox, as vítimas são levadas a baixar um suposto plugin do Flash Player em .exe. Já quem usa macOS e clica no link do golpe pelo Safari vê um alerta que pede a instalação também de uma atualização falsa do Flash, em formato .dmg.

Fabio Assolini, analista de segurança da Kaspersky Lab, explica que este método não é novo. “O adware [sistema que reproduz em massa anúncios indesejados ao usuário como um spam] usa a técnica de cadeia de domínios, que redirecionam e rastreiam usuários através de sites mal-intencionados, dependendo de recursos como idioma, localização geográfica, sistema operacional, informações do navegador de internet, complementos instalados e cookies, entre outros”.

A Kaspersky não identificou, até o momento, nenhuma ação do ataque que envolva a instalação de cavalos de troia ou exploits para tomar o controle dos computadores afetados. Entretanto, cibercriminosos por trás desse ataque provavelmente ganharão dinheiro com publicidade não solicitada e acesso a informações pessoais de muitas contas do Facebook que clicaram no link.

“Ao fazer isso, ele basicamente move o navegador através de um conjunto de páginas da Web e, usando cookies de rastreamento, monitora as atividades, exibe determinados anúncios e até mesmo executa ações para que os usuários possam clicar nos links. Todos sabemos que não é recomendado clicar em links desconhecidos, mas esta técnica basicamente o obriga a fazê-lo”, explica.

Para evitar problemas, a recomendação dos especialistas é, como de costume, não clicar em links suspeitos, mesmo que tenham sido enviados por amigos. Outra medida é usar softwares antivírus com proteção de navegadores e mensageiros.

TechTudo

02/09/2017 09:06

Temer diz a chineses que Brasil está voltando para “o trilho do desenvolvimento”

Ao discursar para investidores chineses, o presidente Michel Temer disse hoje (2), em Pequim, que o Brasil está recuperando o dinamismo da economia e voltando para “o trilho do desenvolvimento”. Em seu terceiro dia de viagem à China, Temer discursou para 360 empresários no encerramento do Seminário sobre Oportunidades de Investimento promovido pela Apex-Brasil.

“Sei, tenho a mais absoluta convicção, pelos encontros que tive nesses dois dias aqui na China, com as autoridades que gentilmente nos receberam, que a China continuará ao lado do Brasil, neste momento em que voltamos para o trilho do desenvolvimento. Sei que os empresários chineses são e seguirão sendo grandes parceiros nessa empreitada”, disse.

Nos dois últimos dias, Temer teve reuniões com o presidente Xi Jinping, com o primeiro-ministro Li Keqiang e com o presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, Yu Zhengsheng, além dos presidentes das gigantes do setor elétrico State Grid Corporation of China e China Three Gorges Corporation, da empresa de telecomunicações Huawei e do grupo empresarial HNA.

Em seu discurso, Temer lembrou que há um ano falou a empresários chineses em Xangai sobre a agenda de reformas do seu governo para recuperar a economia. “Pois, hoje, passados 12 meses, posso dizer-lhes que a missão está sendo cumprida. O Brasil está de volta e aguardando os empresários chineses”, acrescentou.

Temer e os ministros do Planejamento, Dyogo Oliveira, dos Transportes, Maurício Quintella, da Agricultura, Blairo Maggi, de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira, apresentaram os projetos de investimento, principalmente o pacote de concessões e privatizações de aeroportos, portos, rodovias e linhas de transmissão lançado na semana passada pelo governo.

O presidente voltou a comentar resultados recentes da economia: “Só para registrar, dados muito recentes revelam que no ano passado o PIB [Produto Interno Bruto] foi negativo no Brasil, mas neste ano, no primeiro trimestre, foi de 1% e, logo agora, neste segundo semestre, mais 0,2%. Portanto, recuperação do PIB brasileiro em pouquíssimo tempo”.

Temer também falou da taxa básica de juros da economia, a taxa Selic, que passou de mais de 14% para 9,25%: “A indicar que até o final do ano talvez estejamos em 7[%], 7,5%, segundo dizem os analistas”, disse. “Eu confesso que fizemos tanto nesses 15 meses que nem parece que se passaram apenas 15 meses desde que assumimos o governo”.

Aos investidores, Temer disse que podem encontrar no Brasil oportunidades seguras para negócios. “Nós temos, agora, um novo modelo para concessões e privatizações. É um modelo mais previsível e mais racional, que fortalece a segurança jurídica. Porque nenhum empresário aplica ou quer aplicar se não obtiver a segurança jurídica para o seu investimento”.

Segundo a Presidência brasileira, o vice-primeiro-ministro da China, Wang Yang, disse neste sábado, durante encontro com Temer, que há interesse das empresas chinesas em participar dos leilões programados do Programa de Parcerias de Investimento, principalmente em áreas como energia e transportes.

Amanhã (3), Temer viaja para a cidade chinesa de Xiamen, onde vai participar da 9ª cúpula de chefes de Estado e de Governo do Brics (grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) até terça-feira (5).

Atos

No seminário, foram assinados oito atos empresariais, entre eles o termo de ratificação dos acordos para implantação do parque siderúrgico entre o governo do Maranhão e a China Brazil Xinnenghuan International Investment (CBSteel) e o protocolo de intenções entre a Itaipu e a China Three Gorges Corporation para desenvolver ações conjuntas de pesquisa nas áreas de energia renovável.

Na ocasião, foi firmado o memorando de entendimento entre o Fundo de Investimento em Participações em Infraestrutura e a China Communication Construction Company para a aquisição do Terminal Graneleiro de Babitonga, em Santa Catarina.

Acordo de cooperação entre a Petrobras e o China Development Bank e o memorando de entendimento para cooperação entre o Banco do Brasil e o Industrial Commercial Bankof China também foram assinados.

Brasil e China firmaram ontem 14 atos internacionais. Três deles são acordos bilaterais entre os dois governos e os outros são acordos privados e interinstitucionais, que podem gerar negócios e investimentos futuros no Brasil.

Agência Brasil

31/08/2017 10:42

Foto: Helvio Romero/Estadão

A última patrulha do Brasil no Haiti

Faltavam poucos quilômetros para a última patrulha da Missão das Nações Unidas para Estabilização do Hati (Minustah) chegar a Cité Soleil quando as bandeiras do Brasil e do Haiti foram desenroladas. Cada uma de um lado da segunda das sete viaturas brancas com sigla da ONU que seguiam em comboio. A escolha da comunidade onde sobrevivem cerca de 300 mil pessoas tem um significado. Foi lá que aconteceram alguns dos maiores confrontos entre gangues e militares brasileiros nos primeiros anos de operação.

Pacificada em 2007, Cité Soleil é um local onde se pode hoje circular, mas a miséria continua a impressionar. Esgoto corre em valetas na frente das casas e lixo, entulho e moscas estão por toda a parte. Adultos sem trabalho se espalham pelas ruas e grupos de crianças se formam em volta de cada estrangeiro que aparece. Algumas pedem dólar, água, chocolate ou o relógio do visitante, mas a maioria só quer cumprimentar, geralmente fechando a mão para dar um soquinho.

Entre os meninos e meninas de todos os tamanhos, a expressão que mais se ouve é “hey, you”, uma herança da comunicação que mantinham com soldados americanos numa missão anterior à Minustah. Até hoje, já foram cinco missões da ONU no país. A sexta deve começar em outubro, após o encerramento da Minustah.

Por determinação das Nações Unidas, que ainda consideram Cité Soleil zona vermelha, os militares brasileiros só andam ali com capacete, colete à prova de balas e armamento – ontem, levaram fuzis e calibre 12. Os dois primeiros itens da lista foram exigidos também dos jornalistas que acompanharam a última patrulha. A pacificação não eliminou o medo de problemas.

Apesar das armas, foi lá no entanto que o ‘Estado’ testemunhou as maiores demonstrações de carinho aos militares brasileiros por parte da população. E houve recíproca. Os 25 integrantes da operação deram a crianças a bandeirinha do Brasil que levavam no uniforme. “Ela estava comigo há 13 anos, desde que eu era soldado”, comenta o sargento Anderson de Jesus. “Mas foi por uma boa causa. Tomara que seja bem usada.”

Os brasileiros ocuparam Cité Soleil após a pacificação, em 2007. Até 2010, usaram como posto um local conhecido como Casa Azul, que desmoronou no terremoto e matou oito militares. Depois, manteve uma base grande dentro da comunidade, que foi entregue em 27 de junho à Polícia Nacional do Haiti. Na ida e na volta, a reportagem não avistou qualquer policial haitiano fazendo ronda por ali.

“Com a transição da Minustah, nossa presença foi diminuindo, mas existe ainda essa grande identificação”, comenta o comandante Alexandre Oliveira Cantanhede Lago.”Tem uma geração inteira que viu o brasileiro patrulhando aqui.”
É o que se chama no Haiti de Geração Minustah. Adolescentes como Genese Telusma, de 13 anos, que não lembram como era a vida sem ver soldados nas ruas, mas experimentam um período de relativa estabilidade política que pais e avós não viveram: entre 1986 e 2004, o Haiti teve 15 presidentes; de 2004 até agora, foram 3.

Ravil Loubert tem 22 anos e também teve a vida mudada pela missão e pelos brasileiros. A ponto de pedir para ser chamado de Fabio Júnior. “Brasileiro fica no meu coração. Não quero que brasileiro vai embora, não”, diz, em português. Em seguida, afirma ser fã de funk e canta, sem errar, trecho de uma música de Roberto Carlos. Até poucas semanas atrás, ele costumava fazer faxina no posto brasileiro em Cité Soleil. Com o fim da missão, perdeu o emprego e acha que não vai conseguir outro trabalho. “Hoje levantei e ainda não passou nada na minha boca.” Seu plano agora é migrar para o Brasil em novembro e encontrar o irmão, que já está trabalhando na Bahia.

Atrás dele, algumas mulheres cortam uma espécie de quiabo para fazer sopa de água, pão, vegetais e banana. Algumas põem também siris pegos no mar poluído do Porto de Lohaf. Os caldeirões são colocados na rua, no que deveria ser uma calçada, em meio a muito lixo. Cada tigela é vendida por 40 gourdes. Na cotação local, US$ 1 vale 62 gourdes.

A sopa de Lauka Legra, de 35 anos, tem também veritaba, uma espécie de fruta local. Mãe de cinco filhos, ela reclama que a vida ali é dura porque as coisas são muito caras. Na vida dela, diz, a Minustah não mudou nada.

A seu lado, Jean Bernardet, de 50 anos, está preocupado. Ele ouviu dizer que os militares estão se retirando e acha que a situação vai piorar em Cité Soleil. “As coisas são melhores hoje. Quando a tropa chegou, a violência diminuiu”, conta. Ele tem muita dúvida se a polícia haitiana conseguirá manter o controle da área. Como a grande maioria das pessoas com quem o ‘Estado’ conversou nesta semana, Bernadet não tem emprego. Quando consegue algum dinheiro, compra algo no mercado para tentar revender na rua.

As tropas saem para caminhar e passam pela rua onde fica a escola dirigida por Mercelon Jeune, de 50 anos. A Union des Freres du Tabernacle atende 150 crianças desde 2000. Chegou a ter ajuda do governo para pagar professores, mas ela foi cortada há dois anos. As famílias que podem contribuem com 2 mil gourdes mensais, mas são poucas as que podem. Um quadro negro na entrada pede aos pais que tragam documentos das crianças para matrícula. Na sala de aula de paredes e bancos de madeira lascados, dois quadros negros servem para atender alunos da 1ª, 2ª e 3ª séries que têm aulas ao mesmo tempo.

De calça e camisa social, ele é um símbolo da elegância haitiana. Numa semana no país, o ‘Estado’ não viu um só haitiano sem camisa apesar do forte calor. Andar sem roupa remete aos tempos da escravidão e o país se orgulha por ter lutado anos contra ela.

Ao lado da reportagem, Michaud Michelet, que trabalha como tradutor da Minustah, observa tudo calado. Ele se entristece ao ver a miséria de Cité Soleil sendo retratada. “Como haitiano, não vou nunca gostar quando se mostra a parte ruim do país, mas sei que é algo que não posso proibir. Aqui também tem muitas pessoas educadas. Eu por exemplo fiz duas faculdades, falo idiomas, mas não aparecem histórias como a minha. Tem haitiano no Congresso americano, prefeito, senadores. E, apesar de toda a miséria, somos um povo que sempre tem um sorriso no rosto.”

Quase quatro horas depois, o comboio volta à base. Militares se cumprimentam ao descer dos veículos. “Missão cumprida. Esse é o sentimento”, resume o sargento Fabian Ulacia, um dos integrantes da última patrulha.

Estadão

30/08/2017 08:55

Por que a gravidez de meninas de 10 a 14 anos não diminuiu no Brasil em uma década?

Aos 13 anos de idade, Maria entendia pouco sobre seu próprio corpo. Demorou quatro meses para descobrir que esperava um filho – fruto da primeira relação sexual que teve na vida, com um homem de 21 anos. Até receber a notícia da gravidez, Maria não sabia como ocorre uma gestação – jamais tinha recebido qualquer orientação em casa ou na escola. Tampouco sabia que a lei brasileira configura situações como a dela como estupro de vulnerável.

No posto de saúde de Autazes (AM), município a quatro horas de distância de lancha e carro de Manaus, Maria recebeu um único atendimento psicológico. O objetivo do profissional, conta ela, foi explicar o que era ser mãe.

“Quando entendi que estava grávida, senti muito nervosismo. Pensei: não vou ser mais criança, agora eu vou cuidar de outra criança”, lembra ela, com a fala tímida, enquanto o filho, hoje com três anos, circula pela casa simples onde moram.

Maria e a criança são sustentadas pelos minguados rendimentos que a mãe dela recebe com bicos em serviços domésticos e o Bolsa Família. Sua condição não é exceção na cidade de Autazes onde, segundo o IBGE, quase metade dos domicílios tem renda total de no máximo um salário mínimo. Maria teve que deixar a escola – perguntada sobre o que gostaria de fazer no futuro, respondeu que não sabe.

Sente saudade de ser criança? “Sinto. Eu jogava bola na rua, bola de gude”. E agora? “Não…. Fico em casa e vou à igreja”, diz, enquanto revê na televisão o filme Esqueceram de Mim 3.

Aos 15 anos, dois anos após o ter o primeiro filho, ela sofreu um aborto, e agora, aos 16, acaba de dar à luz uma menina, que mama em seus braços. Depois do último parto, quis fazer uma laqueadura, mas o procedimento não é permitido para mulheres tão jovens.

Hoje, cria os filhos sozinha. O pai da primeira criança morreu assassinado. O da recém-nascida, de 23 anos, mora em uma comunidade afastada do centro de Autazes e só soube que seria pai quando a gravidez estava no sexto mês. Os dois já não estão juntos – Maria diz que ele ajuda a comprar fraldas ou talco, mas não costuma cuidar da filha. “O que pedir, ele dá, mas tem medo de pegar porque ela é muito pequenininha”.

Maria – cujo nome verdadeiro foi preservado para não expô-la, assim como o das demais entrevistadas – é uma das quase 305 mil brasileiras de 10 a 14 anos que tiveram filhos entre 2005 e 2015, segundo o Datasus (banco de dados do Ministério da Saúde), que reúne os registros de maternidades e cartórios. (mais…)

30/08/2017 08:18

Foto: José Cruz/Agência Brasil

IBGE diz que Brasil já tem mais de 207 milhões de habitantes

O Brasil já tem 207 milhões, 660 mil e 929 de habitantes, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados hoje (30) no Diário Oficial da União. No ano passado, o levantamento anual do IBGE indicava uma população de 206,08 milhões de brasileiros.

São Paulo permanece na liderança como o estado mais populoso com 45 milhões, 94 mil e 866 habitantes. No ano passado, a população paulista era formada por 44,75 milhões de habitantes. Mais cinco estados têm população acima de 10 milhões de habitantes: Minas Gerais (21.119.536),  Rio de Janeiro (16.718.956), Bahia (15.344.447), Rio Grande do Sul (11.322.895) e Paraná (11.320.892).

O Distrito Federal (DF) que, no ano passado, tinha 2,98 milhões de habitantes, agora tem mais de 3,039 milhões de pessoas. Acre (829,6 mil), Amapá (797,7mil) e Roraima (522,6 mil) são os estados que registram população inferior a 1 milhão de habitantes.

Agência Brasil

28/08/2017 09:21

Crise econômica freia denúncias de assédio sexual no Brasil

Uma auxiliar de escritório apalpada pelo chefe numa reunião após repelir suas investidas. Uma balconista assediada após ser levada até o fundo da loja pelos patrões. Uma produtora de televisão provocada diariamente pelos superiores para mostrar os peitos.

Os três casos foram relatados à Folha e têm algo em comum -nenhum foi denunciado pelas vítimas, que tiveram medo de perder o emprego ou sofrer violência ainda maior.

O número de denúncias de assédio sexual no trabalho e ações na Justiça por esse motivo, que vinha crescendo com a expansão do movimento feminista no país nos últimos anos, perdeu força com a recessão e o desemprego.

Dados do Ministério Público do Trabalho mostram que 2015 representou uma interrupção num movimento de alta que vinha sendo registrado desde 2012 no volume de denúncias, estimuladas por campanhas de conscientização do órgão sobre o assédio.

De 146 casos registrados em 2012, o número de denúncias aumentou todos os anos até atingir 250 em 2015 -ano em que as demissões no setor formal da economia superaram as contratações em 1,5 milhão de vagas, segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

Em 2016, que marcou o segundo pior saldo negativo do emprego na história -com 1,3 milhão de vagas perdidas- o número de denúncias de assédio sexual se estagnou em 248. Neste ano, foram 144 até julho.

A auxiliar de escritório ouvida pela Folha, que trabalha na área de educação, disse ter sido perseguida por um gerente após se recusar a ter relações sexuais com ele. Ele a chamava para sua sala com o pretexto de discutir trabalho, tocava nos seus seios e a intimidava. Às vezes ia até sua mesa e esfregava o pênis nela.

A produtora de TV relatou à reportagem que era assediada todo dia por um chefe que fazia comentários sobre seus peitos e insinuava que ela deveria transar com ele. O assédio era feito em público, e passava por brincadeira.

O procurador Ramon Bezerra dos Santos, do Ministério Público do Trabalho, afirma que é muito difícil apurar um caso de assédio sexual no trabalho. “O trabalhador que presencia essas situações muitas vezes pensa que vai prejudicar o patrão e pode perder o emprego se falar”, diz.

As ações movidas pelo MPT, com base na apuração das denúncias das vítimas, têm como objetivo responsabilizar a empresa pelo assédio. Empregadores condenados têm que pagar indenização às mulheres e assinar termos de ajuste de conduta.

Para responsabilizar o agressor, as vítimas devem ir à Justiça comum cobrar danos morais, ou denunciar o crime à polícia. Se o assédio ocorre em órgão público, o caminho é um processo administrativo.

O assédio sexual só é crime no Brasil quando acontece no ambiente de trabalho. É definido como “constranger alguém” para “obter vantagem ou favorecimento sexual”, aproveitando-se da condição de superior hierárquico.

É o que relata ter sofrido Viviane Magalhães, 45. Ela começou a trabalhar cedo, com cerca de 15 anos, e conta que foi assediada no segundo emprego, uma loja de roupas no bairro onde morava. Magalhães afirma ter sido tocada pelos três donos da loja.

“Eles chegavam na manha. ‘Senta aqui, vamos conversar.’ De repente, pegavam na sua mão. De repente, tocavam. Você se assustava”, diz. “Descobri que as outras também eram assediadas. O que me impressiona é a nossa inércia para lidar com a situação.”

Como outros crimes de violência sexual contra a mulher, o assédio sexual no trabalho é subnotificado. No Estado de São Paulo, foram registrados apenas 159 boletins de ocorrência até julho. Em todo o ano de 2016, foram 267.

Segundo o Ministério Público do Trabalho, não há setor de atividade econômica que concentre número maior de casos. O problema é pulverizado, dizem os procuradores.

“O que mais me enojava, me causava arrepios, era quando eu estava no balcão da loja e ele vinha por trás. Sentia a respiração dele no meu ouvido, o toque de passar atrás de mim”, diz C.V., sobre o dono da joalheria em que trabalhava. “Aquilo me fazia sentir um lixo. Era o chefe, não dava para empurrar, eu tentava ir para a frente.” Assim que se casou, ela foi demitida.

Folha de S. Paulo

25/08/2017 11:31

Foto: Alexandre Cardoso/AP

Com pouca fiscalização, navegação deixa 2.300 mortos em 10 anos no país

Naufrágios como os registrados nesta semana em Vera Cruz (BA) e em Porto de Moz (PA) não são acidentes isolados no país, que tem uma Marinha com efetivo pequeno para uma rede navegável de 35,5 mil km. Com isso, as vítimas desse tipo de ocorrência já chegam a 2.300 nos últimos dez anos.

Ao todo, a Marinha conta com 5.000 servidores, 63 capitanias portuárias, delegacias e agências e 653 embarcações para fiscalizar 35,5 mil km de rios e mares navegáveis e 53 mil embarcações habilitadas para o transporte de passageiros. Apenas entre Rio e Niterói, são transportados 24 milhões de passageiros por ano.

Apenas neste ano, já foram 100 mortes em decorrência desse tipo de acidente, sendo que três distritos navais concentram os maiores números. Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima tiveram 23 casos, Paraná, São Paulo e sul de Minas tiveram mais 23, enquanto a área entre Pará, Amapá, Maranhão e Piauí teve 22.

Para evitar acidentes é obrigação de quem faz o transporte: oferecer orientações sobre procedimentos em caso de emergência, oferecer alimentação ou hospedagem em caso de atrasos, não misturar carga e passageiros no mesmo ambiente, ter tripulação condizente com o tamanho da embarcação e ter seguro obrigatório de embarcações.

mortes e desaparecimentos rios e mares brasil

Folha de S. Paulo

Dinarte Assunção

Biografia Dinarte Assunção é jornalista formado pela UFRN. Atuou em redações como repórter de cotidiano, economia e política. Foi comentarista político da TV Ponta Negra. Atualmente é reporter do Portal No Ar e compõe a equipe do Meio Dia RN, na 98 FM. É autor do livro Sobre Viver - Como Venci a Depressão e as Drogas. Nas horas vagas, assa panquecas.

Descrição Ponto ID é um blog para noticiar o que importa. E nada mais.

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