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06/06/2017 14:17

A ópera do Belo Monte

As sacadas do Hotel Golden Tulip se projetam para a Avenida Presidente Getúlio Vargas, em Petrópolis, de onde se tem uma das mais privilegiadas vistas do mar urbano. É mais do que comum ver gente debruçada sobre elas contemplando a imensidão do Atlântico.

 

Na manhã desta terça-feira (6), no entanto, estavam todas fechadas, reluzindo o verde piscina de suas vidraças.

 

As fachadas que dão para a Rua Desembargador Dionísio Filgueira, contudo, lembravam os camarotes de teatros onde se encenam tragédias na ópera.

 

De fato, havia tragédia lá embaixo.

Aglomerados no outro lado da rua, na calçada do Edifício Belo Monte, jornalistas e curiosos confabulavam entre cochichos e smartphones esperando o desfecho do que se passava no vigésimo andar do edifício, na cobertura do ex-deputado Henrique Eduardo Alves, alvo de mandado de prisão preventiva por desdobramento na Lava Jato.

 

Os carros da Polícia Federal chegaram ao edifício pouco antes das 6h. Os agentes empunharam o mandado na portaria e atravessaram o portão de um dos endereços mais caros de Natal. Com as viaturas na calçada, as primeiras fotos começaram a circular.

 

Às 6h05, o blogueiro Bruno Giovanni disparava a primeira mensagem: Polícia Federal em prédio de luxo de Natal.

 

Foi assim que a faísca tocou a pólvora e se alastrou com furor, levando para a calçada do Belo Monte um sem fim de curiosos.

 

Na calçada do Golden Tulip, uma jovem de seus vinte e poucos anos e um senhor conversavam com mais dois homens, um ciclista que saiu de Lagoa Nova, a quatro quilômetros, para acompanhar tudo, e um motoqueiro que vestia uma camisa de Jair Bolsonaro.

 

Aproximei-me.

 

– O que vai acontecer agora? Ele vai ser levado e depois solto. Mas por que será que estão levando ele, hein? – Indagou o homem levando a mão direita ao queixo.

 

– Ele está sendo levado sob, entre outras acusações, oferecer sua conta na Suíça para o Eduardo Cunha movimentar dois milhões de reais de propina. – Disse à plateia. Eles ficaram aterrados com os efeitos das palavras. O homem com camisa de Bolsonaro levou a mão à boca numa exclamação quase inaudível de “Misericórdia”. – Bom dia, a propósito. Sou jornalista. Vocês me dão uma entrevista?

 

Não houve entrevista. Como em um chá das cinco em Londres, os quatro personagens continuaram confabulando e me autorizaram a anotar.

 

– Mas não tem nada sobre o aeroporto? Ele levou o aeroporto para São Gonçalo. O outro era mais perto de Pipa. Será que não é isso? – Conjecturou a garota, enquanto afastava do rosto uma mexa de cabelo com  o dedo mindinho da mão esquerda.

 

– Então ele emprestou a conta? Uma vez apareceu R$ 150 reais na minha conta e eu não usei e tive que devolver. Mas tá aqui minha conta se quiser depositar algo – tripudiou o homem mais velho, tirando seu cartão bancário da carteira.

 

– Qual seu nome? – Perguntei.

 

– Raimundo Gomes.

 

– E o que senhor faz?

 

– Sou servidor público municipal.

 

– Ah, municipal? O secretário de Obras também foi preso. – Acrescentei.

 

– JESUS! – Exclamou seu Raimundo, levando a mão direita aberta ao peito, que começou a arfar. – Eu sou funcionário de lá! Fred foi preso?

 

– Foi. – Virei-me para a garota – E seu nome, qual é? – Ela começou a abrir a boca, mas nada mais foi pronunciado porque tudo aconteceu ao mesmo tempo.

 

A inquietação desceu pelas sacadas do Golden Tulip, até a calçada e foi vocalizada por uma mulher a poucos metros. Era esguia e tinha seus trinta e poucos anos, assentada em um vestido impecavelmente bem passado. Segurava uma bolsa Dolce&Gabanna na mão direita. Ergueu a mão esquerda em direção ao Belo Monte e riu pelo canto da boca antes de pronunciar:

 

– Ele está vindo sem algemas!

 

Foi uma cena comovente. Henrique Eduardo Lyra Alves ziguezagueava descendo pelas rampas do condomínio ladeado por policiais federais. Nada nele lembrava o vigor de quem um dia foi presidente da República em exercício.

 

As pessoas correram para as vidraças do Belo Monte e, enquanto o xingavam, Henrique atravessava o portal de acesso à rua, atrás do qual ficaram os escombros a que se reduziu sua vida pública.

 

Quando seus pés tocaram a calçada, a virulência da população se aplacou sobre o ex-deputado com impropérios impublicáveis.  Em menos de cinco segundos, os ex-deputado estava já escoltado dentro da viatura da Polícia Federal, que partiu em disparada.

 

Como numa epifania divina, uma jornalista comentou:

 

– Meu Deus, ele foi preso. – E todos os demais se abraçaram juntos celebrando.

 

Na avenida Presidente Vargas, as sacadas do Golden Tulip começaram a se abrir para o vento do Atlântico arejar os apartamentos.

29/05/2017 11:42

Mortos, servidores públicos, comerciantes, doadores de campanha… Quem recebe BF suspeito no RN

No Portal No Ar

Após escrever sobre o crescimento das irregularidades no Bolsa Família no RN e sobre como o MPF está procedendo, chegamos ao perfil dos beneficiários suspeitos. Eles são cinco tipos:

 

Falecidos – 0,65%: Estão nesse grupo os titulares (recebedores) de benefícios do programa Bolsa Família cujos CPF ou NIS (Número de Inscrição Social) utilizados no cadastro foram identificados como pertencentes a cidadãos falecidos. A recomendação do MPF nesses casos é para que a prefeitura verifique, inclusive com visita local às famílias feita pelas prefeituras, se houve algum equívoco no momento do cadastro e se o recebedor do benefício de fato está vivo.

 

Servidores Públicos com clã familiar de até quatro pessoas58,98%: Integram esse grupo tanto os titulares do benefício, quanto aqueles que integram seu clã familiar, que são servidores públicos federais, estaduais ou municipais. A condição de servidor, por si só, não impede que o cidadão se enquadre no perfil econômico exigido pelo programa para a concessão do benefício. Contudo, como a Administração Pública não pode pagar a qualquer servidor vencimento inferior ao salário mínimo, tendo o beneficiário declarado ter família com menos de quatro pessoas, conforme já apurado também pela ferramenta, o MPF entende que esses cadastros merecem ser revisados, com visitas prévias às famílias.

 

Doadores de campanha eleitoral (Doação maior que benefício) 0,50%: Estão agrupados nesta categoria tanto os titulares do benefício, quanto aqueles que integram seu clã familiar, que aparecem, segundo dados do TSE, como doadores de campanha no mesmo exercício em que receberam o benefício do Governo Federal. Assim como no caso dos beneficiários servidores, o fato de ser um doador não significa, por si só, que o beneficiário está em situação irregular ou não cumpre os requisitos de capacidade econômica exigidos para o recebimento do benefício. No entanto, quando o valor doado supera o valor recebido a título de Bolsa Família, é possível inferir que o beneficiário não precisa do dinheiro para sua subsistência. Daí a necessidade de revisão dos cadastros de beneficiários nessa condição, precedida de visita pela prefeitura.

 

Empresários36,59%: Foram incluídos nesse grupo tanto os titulares do benefício, quanto aqueles que integram seu clã familiar, cujos CPF (Cadastro de Pessoa Física) ou NIS (Número de Inscrição Social) utilizados no cadastro do programa estão vinculados a um ou mais CNPJs (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica), indicando que são pessoas proprietárias ou responsáveis por empresas. O MPF não descarta a possibilidade de haver pequenos empresários que atendam aos requisitos de hipossuficiência (pobreza ou extrema pobreza) exigidos pelo programa para a concessão do benefício, mas entende que, em tese, esses seriam poucos casos. A revisão cuidadosa do cadastro desses beneficiários, com visitas prévia pela prefeitura, torna-se necessária para um melhor controle do programa.

 

Servidores doadores de campanha0,69% Compõem este grupo tanto os titulares do benefício quanto aqueles que integram o clã familiar informado que são, simultaneamente, servidores públicos (federais, estaduais ou municipais) e doadores de campanhas eleitorais, independentemente do valor doado.

29/05/2017 11:37

MPF notificou metade das cidades com irregularidades no Bolsa Família no RN

no Portal No Ar

Neste post, destrinchei como as irregularidades no maior programa de distribuição de renda do governo federal assolam o Rio Grande do Norte. O MPF, que mapeia as irregularidades está tomando providências.

 

A iniciativa do Ministério Público Federal, nessa primeira fase, é pela notificação das cidades para que tomem as medidas para coibir as fraudes.

 

As unidades das procuradorias da República em Assu e Caicó já expediram recomendações para todas as cidades sob sua jurisdição.

 

A unidade de estadual, com sede em Natal e jurisdição sob as cidades que não estão abarcadas nos polos de Assu, Caíco, Mossoró e Pau dos Ferros já cumpriu mais da metade das notificações.

 

Mossoró e Pau dos Ferros ainda patinam. Na segunda maior cidade do Estado, o MPF só notificou 7,14% dos municípios. No Alto Oeste, Pau dos Ferros só notificou 3%.

 

Até o momento, 85 cidades foram notificadas através de recomendações com instruções para excluir os perfis suspeitos e adotar mecanismos de controle. Os textos ainda informam que a insistência nas irregularidades pode levar a sanções penais e administrativas tanto para agentes públicos como para os beneficiários.

Ainda faltam 82 cidades serem notificadas por recomendação.

29/05/2017 11:33

Todas as cidades do RN têm irregularidades no Bolsa Família

no Portal No Ar

As irregularidades no Bolsa Família, no Rio Grande do Norte, cresceram desde novembro do ano passado, quando o Ministério Público Federal anunciou que 24,6 mil beneficiários foram enquadrados em perfis suspeitos.

 

Levantamento do portalnoar.com junto a Procuradoria da República no Rio Grande do Norte detectou que, até esta sexta-feira (02), os números passaram para 25.160.

 

Todas as cidades do Rio Grande do Norte têm  irregularidades mapeadas.

 

Por outro lado, a proporção caiu. De 2013 ao fim do ano passado, R$ 2.186.054.602,00 haviam sido pagos em benefícios. Desse total, 88.5 milhões (4.05%) eram irregulares. Agora, os valores globais passaram para R$ 3.3 bilhões, sendo R$ 86,1 milhões irregulares.

 

De acordo com as normas que regulamentam o programa, especialmente o Decreto nº 5.209, de 2004 compete ao município inscrever e criar mecanismos de controle e fiscalização. Na prática, no entanto, a teoria é outra.

 

O desleixo das cidades com a lei levou a Controladoria Geral da União, em 2015, a cobrar fiscalização efetiva contra desvios que vinham sendo identificados pontualmente. Mas não houve avanço. Coube ao Ministério Público Federal coordenar um amplo programa de combate às fraudes.

 

A cobrança da CGU em tempos passados justificou-se no tempo presente. São as menores prefeituras, onde instrumentos de fiscalização não tendem a prosperar, que se proliferam as irregularidades.

 

O município de Guamaré lidera a concentração de suspeitas. Lá, 13,44% dos beneficiados foram enquadrados em algum tipo de perfil incompatível com os princípios do Bolsa Família – leia mais sobre perfis abaixo.

 

Guamaré acompanhado por São Bento do Norte (12,11%), Francisco Dantas (11,77%), Jandaíra (10,35) e Taboleiro Grande (9,12%). Confira outras cidades no infográfico abaixo.

 

14/03/2017 20:20

Vídeo mostra explosão a carro-forte seguido de saque da população em Mossoró

Mais uma ação ousada de bandidos deixou um rastro de pavor e dinheiro, literalmente, no Oeste do Rio Grande do Norte.

Na ação gravada e compartilhada nas redes, um carro-forte da empresa Prosegur aparece já em chamas à beira da BR-304, em trecho entre Assu e Mossoró

Apesar de ter sido acionada e se dirigido ao local, a Polícia Rodoviária Federal não conseguiu prender nenhum dos suspeitos do crime.

Confiram o vídeo:

Dinarte Assunção

Biografia Dinarte Assunção é jornalista formado pela UFRN. Atuou em redações como repórter de cotidiano, economia e política. Foi comentarista político da TV Ponta Negra. Atualmente é reporter do Portal No Ar e compõe a equipe do Meio Dia RN, na 98 FM. É autor do livro Sobre Viver - Como Venci a Depressão e as Drogas. Nas horas vagas, assa panquecas.

Descrição Ponto ID é um blog para noticiar o que importa. E nada mais.